O presente da Creator Economy
Vivemos um momento de transformação acelerada no ecossistema de criadores de conteúdo… a chamada Creator Economy, onde não se trata mais apenas de “influenciadores postando no Instagram”, mas de comunidades, micro-nichos, monetização direta, plataformas proprietárias e novos modelos de negócios.
No Brasil, esse movimento ganha contornos próprios: diversidade cultural, forte engajamento social, pluralidade de formatos e ainda muitos gaps para serem explorados.
Neste artigo vamos te apresentar:
Um panorama atual da creator economy brasileira.
Principais tendências que estão se consolidando.
Perspectivas de onde o mercado vai nos próximos 2-5 anos.
Implicações práticas para marcas, criadores e plataformas — especialmente relevante para as operações da Conty com creators, micro-influenciadores, UGC etc.
Exemplos de ações concretas para já posicionar-se.
1. Panorama atual no Brasil
Tamanho, maturidade e desafios
Estima-se que existam cerca de 20 milhões de criadores no Brasil segundo a consultoria YOUPIX. (Portal FGV)
Um estudo revela que mais de 14 milhões de criadores no Brasil participam da economia de conteúdo (em 2025). (Wake)
O mercado global da creator economy está projetado para atingir cerca de US$ 480 bilhões até 2027. (Forbes Brasil)
No Brasil, além da escala, apareceu a descentralização: não são só os “macro‐influenciadores” que contam, mas micro e nano-influenciadores, comunidades nichadas. (marketingdeinfluencia.squidit.com.br)
Mesmo assim, há forte contraste: a maioria dos criadores ganha valores modestos, e a dependência de plataformas externas (algoritmos) ainda é elevada. (state.is)
O que está funcionando
As marcas já perceberam: A creator economy virou peça central no marketing digital, não apenas “fazer publi”, mas engajar com narrativas mais autênticas. (Meio e Mensagem)
O valor da comunidade — não apenas audiência — ganha evidência: criadores que conseguem formar comunidades ligadas, com fidelidade, podem ter vantagem competitiva. (InfoMoney)
2. Principais tendências emergentes
Aqui listamos algumas das que consideramos mais relevantes para o Brasil nos próximos anos.
a) Monetização descentralizada e modelos inovadores de receita
Os modelos tradicionais ainda existem (patrocínios, publis), mas novas formas tomam força: assinatura, memberships, gorjetas, co-criação de produtos, “creator as enterprise”. Por exemplo, uma matéria aponta que a creator economy global deve superar US$ 525 bilhões até 2030 e uma das frentes é a quebra da dependência de algoritmo e de receitas apenas de ads. (HSM Management)
No Brasil, marcas e criadores começam a explorar essas vias — não apenas “post pago”, mas “produto + comunidade + plataforma própria”.
b) Comunidades como ativo estratégico
Mais que seguidores, as comunidades se tornam ativos: engajamento profundo, lealdade, co-criação de valores. No Brasil, isso foi destacado como um diferencial competitivo da creator economy nacional. (InfoMoney)
Para marcas e criadores, isso significa: pensar não só “quanto alcance”, mas “qual densidade de conexão”, “quanto tempo de vida dessa comunidade”.
c) Plataformas proprietárias e soberania de canal
Para driblar restrições de algoritmo e instabilidade nas plataformas abertas (como redes sociais), criadores e negócios começam a migrar ou somar canais próprios: newsletters, apps, grupos fechados, plataformas de assinatura. (InfoMoney)
Para o Brasil, isso sugere oportunidade — ainda relativamente menos explorada — de consolidar modelagem de “canal de propriedade” e reduzir risco de dependência total de Meta, TikTok, YouTube.
d) Micro & nano-influenciadores + nichos hiper-segmentados
O Brasil tem forte presença de micro-influenciadores (por exemplo, criadores com 10k-50k seguidores representam ~37% dos influenciadores brasileiros). (marketingdeinfluencia.squidit.com.br)
Isso abre caminho para campanhas mais autênticas, custo mais baixo, maior ROI em nichos específicos. As marcas devem abraçar essa tendência mais ativamente.
e) Algoritmos, dependência e desigualdade de receita
Uma das tensões da creator economy: enquanto o mercado cresce, muitos criadores ainda ficam na faixa de ganhos baixos e a “classe média de criadores” está engessada. No Brasil, levantamento da Youpix indica que a maioria ganha entre R$ 2 mil e R$ 5 mil/mes. (state.is)
Além disso, a dependência de algoritmos das plataformas continua sendo um risco — mudanças no feed, punições não transparentes, etc. (HSM Management)
f) Integração de IA, automação e formatos dinâmicos
Embora menos explorado especificamente no Brasil nos artigos que levantamos, globalmente a creator economy caminha para uso de IA para geração de conteúdo, personalização, distribuição otimizada — o que vai impactar o Brasil também nos próximos anos.
3. Perspectivas para os próximos 2-5 anos no Brasil
Com base nas tendências acima e no próprio contexto brasileiro, projeta-se:
O mercado brasileiro de creator economy vai ganhar mais profissionalização: mais criadores transformarão a atividade em negócio (ao invés de hobby). A infraestrutura de suporte (agências, plataformas, ferramentas) se expandirá.
Haverá diversificação de receita: criadores e marcas vão explorar mais assinaturas, merchandising, co-criação de produtos, experiências para comunidade (eventos, encontros).
As marcas terão que se adaptar: o “influencer genérico” será insuficiente; é preciso mapear comunidade, relevância, nicho, densidade de engajamento. Investimento em micro e nano-influenciadores crescerá.
Surgirão mais plataformas nacionais/regionais de monetização e suporte aos criadores — para driblar barreiras, regulatórias ou de idioma, e atender especificidades brasileiras.
A regulação, direitos autorais, privacidade de dados, disclosure de publis — tudo isso ganhará mais atenção. De fato, estudo internacional revela mudanças em autorizações e práticas de disclosure. (arXiv)
A comunidade se tornará o alicerce: criadores que conseguirem mobilizar e fidelizar público terão vantagem competitiva. E isso tende a ser mais relevante no Brasil, dada a cultura de engajamento social.
As disparidades de renda provavelmente se manterão ou até se acentuarão, se nada for feito para “nivelar” o ecossistema — então quem entrar cedo, com bom modelo, pode se destacar.
Para marcas e agências, o modelo de campanha vai migrar de “fazer um post” para “parceria longa com criadores + comunidade + produto” — integração de UGC, co-criação, branded content autêntico.
Por fim: haverá mais internacionalização — criadores brasileiros vendendo para o exterior; plataformas considerando o Brasil como hub latino-americano. (Forbes Brasil)
Conclusão
A creator economy no Brasil está num ponto de inflexão: não mais apenas “influenciador digital” como um trabalho de “fazer posts”, mas um ecossistema de comunidades, monetização direta, nichos, plataformas e negócios. Para marcas, agências e criadores, o momento exige olhar estratégico: onde vai o ecossistema, quais são os riscos (dependência de algoritmo, desigualdade de receita, saturação), e como construir vantagem sustentável.


